8 Comunhão: um prazer vindo de Deus

Com o medo de se entregar novamente a gula, caimos no erro de condenar qualquer prazer durante a alimentação. O Senhor não deseja isso, se não, não teria criado tantos sabores na alimentação. Há quem goste mais
de alimentos salgados, outros de doces, mas no fim tudo é questão de gosto.
Não podemos negar que a comida traz prazer ao ser humano.
Salomão quando escreveu o livro de Eclesiastes, teve como propósito
analisar tudo o que se acha debaixo do céu, ou seja, tudo que acontece aqui
na terra. E no capítulo 3, versículo 13 ele concluiu que no meio de tantas
futilidades da vida, “é dom de Deus que possa o homem comer”. Observando
vários ciclos da vida, enfados do homem, Salomão racionaliza que em
algumas áreas da vida, somente no Senhor o homem pode encontrar
satisfação e a comida é uma delas. Vem de Deus o suprimento alimentar,
mas não somente para suprir necessidades físicas, mas permite ao homem ter prazer no processo.
Condenar o prazer alimentar é colocar-se em uma escravidão
desnecessária, sendo que o próprio Criador do Universo decidiu que nossa
alimentação será prazerosa e nos traga alegria.
Um dos meus versículos favoritos sobre alegria se encontra na história
de Neemias:
“Porque a alegria do Senhor é a vossa força.”
Tive a oportunidade de ler esse texto inteiro no começo da minha
reeducação alimentar e me surpreendi ao descobrir que o próprio Deus
incentivou o povo a se alegrar nele durante um banquete. O contexto do versículo é de muita tristeza e contrição vinda do povo ao se deparar com
seus enormes pecados ao ler a Lei do Senhor. Todo o povo se reuniu para
ouvir o escriba Esdras ler o Livro da Lei de Moisés, desde pequenos até os
mais velhos, todos ao entender o que estava sendo lido, chorava muito.
Neemias repreendeu o povo, pois era o dia consagrado ao Senhor.
E para fugir de toda tristeza e contrição, a instrução dada por Neemias ao
povo foi:
“Ide, comei carnes gordas,
tomai bebidas doces e
enviai porções aos que não têm
nada preparado para si;
porque este dia é consagrado ao nosso Senhor; portanto, não vos
entristeçais,
porque a alegria do Senhor é a vossa força.”
Além do fato de que a alegria no Senhor viria do prazer da comida, o que
mais me chama atenção nesse texto é que Neemias não incentiva a
glutonaria, pois o povo deveria comer junto e repartir com aqueles que não
tinham o que comer. A gula faz com que o pecador queira comer sozinho,
sem repartir com ninguém. A visão que tenho de um glutão é aquele que
come escondido, no quarto, encurvado para que ninguém possa pegar sua comida. Assim como um cachorro guloso que corre ao pegar seu osso para
que nenhum outro animal pegue seu precioso alimento.
Ao contrário dessa cena egoísta e agonizante, podemos imaginar o povo
de Israel ainda com os olhos marejados, mas com um sorriso no rosto ao ver
uma mesa farta, a família reunida e a felicidade dos mais pobres ao receber
uma porção daquele banquete maravilhoso. Uma cena de comunhão. Além do prazer de comer coisas deliciosas, acredito que o prazer maior é de poder sentar-se entre as pessas que mais amo e dividir com eles esse momento de
prazer.
A mesa de jantar deve ser o centro da comunhão familiar. Em uma casa
onde cada um tem seu rotina, o almoço ou o jantar deve ser um momento
que todos priorizem estar presentes. É um lugar de muito aprendizado como
família e onde as pessoas de fora podem conhecer mais seus anfitriões.
Como seminarista, aos domingos as famílias das igrejas que trabalhei
sempre nos convidavam para almoçar. E na mesa do almoço eu podia conhecer de verdade aquela família. Se as crianças tinham ou não disciplina,
se o pai era um servo e auxiliava a esposa, ou só ficava esperando tudo chegar na sua frente, e principalmente se a comunhão era verdadeira, ou se sentar na mesa era como um castigo para alguns integrantes da família. Já sentei em mesas que até eu não me senti bem em estar ali. Não existia aquela comunhão prazerosa, se eu posso dizer que existe comunhão que não seja gostosa.
Sentados à mesa a família fala como foi o dia de cada um, as suas pendências, ou simplesmente colocar a conversa em dia. Um momento prazeroso por causa da alimentação e da comunhão.
Vemos também que a ordem é de comer comidas gordas e doces. Não
era um dia para dieta, mas nem por isso era uma permissão para a gula. Em Atos 15:29 vemos que para nós hoje, Igreja, as proibições alimentares são:
“coisas sacrificadas a ídolos, bem como do sangue, da carne de animais
sufocados.”. Por isso acredito que como cristãos não há alimentos que a
Bíblia nos condena fora os de Atos 15:29, mas bular restrições alimentares
pode estar relacionado ao pecado da gula. Eu sou intolerante a lactose e
sempre busco tomar um remédio para não prejudicar meu estômago quando
eu como algo com leite ou queijo. Mas teve uma época que eu falava: “Ah,
vou passar mal mesmo, não tô nem aí.” Se eu sei que irá prejudicar minha
saúde eu não devo ingerir. Tem vezes que um sorvete eu acabo passando
mal, mas outras vezes não. Mas nem por isso é desculpa para eu comer muito
de algo que eu sei que fará mal ao meu corpo. Eu não tenho autoridade nenhuma em dizer: “Não coma açúcar! Ele é uma droga!” Acredito que como filhos de Deus, com a presença do Espírito Santo em nossas vidas, cada um deve estar com a consciência limpa diante de Deus para decidir se ainda vai consumir açúcar, refrigerante, frituras… E nem por isso devo impor a outras a minha reeducação alimentar. Não é sábio e nenhum pouco compassivo. Se você não está disposto a acompanhar a
pessoa em sua reeducação alimentar, não dê pitacos na sua alimentação.
Cada um tem um corpo diferente, doenças diferentes, pesos diferentes.
Lembrando que a gula é comer demasiadamente, sem domínio próprio.
Vem de Deus todo o prazer alimentar como o prazer de dividir com os
que amo, em uma doce comunhão, desfrutar a alegria do Senhor. Não
estrague essa comunhão falando para outras mesas à mesa que elas devem
comer mais verduras. Deixe isso para outro momento caso deseje ajudar de
verdade essa pessoa na sua reeducação alimentar. Nem mesmo o nosso
próprio Deus nos proibe esse alimentos, mas Ele nos adverte contra o pecado
da gula. Onde há comunhão não tem lugar para a gula. Nem mesmo a alegria do Senhor poderá estar presente no coração de uma pessoa escrava da gula.
Arrependa-se do seu pecado e experimente a doce alegria que vem da
comunhão. 

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